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Por uma esquerda conservadora

Há uma polarização entre nós. Alguns dizem que essa é uma polarização político-econômica, mas muito provavelmente ela não começou dessa forma. A ideia em uso é que existe uma divergência entre esquerda e direita, grosso modo, entre pessoas que pensam que a igualdade é o valor fundamental da política, e que o Estado tem o dever de interferir na economia para fazer isso acontecer, e outras, que tomam a liberdade como o fundamento e que pensam que essa interferência fere o valor mais essencial da política.

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A luta contra o comunismo

Quero falar, neste texto, sobre uma luta que está sendo comumente travada pelos bolsonaristas. Em outro texto, defendo que o bolsonarismo é uma religião messiânica, imperialista, militarista, maniqueísta no que diz respeito a ela ser anti-petista, anti-comunista e anti-esquerdista em geral. Eu também disse que o bolsonarismo é irrazoável, por ser intolerante com outras concepções de bem, ao estar disposto a utilizar o poder físico ou político contra elas. Quero mostrar, neste texto, que a luta contra o comunismo dos bolsonaristas é irrazoável, sendo incompatível com a democracia e com o bem-estar social.

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A educação na segurança humana

Acredito, assim como Obuchi Keizo e como Amartya Sen, que devemos ter uma concepção abrangente de segurança. Conforme entendida por eles, a segurança humana é a mensuração e o enfrentamento às ameaças à sobrevivência, à vida cotidiana e à dignidade humanas, por meio do investimento nas capacidades básicas para uma vida boa. A ideia é que a segurança é um complexo, que envolve não apenas a segurança protetora, mas também a segurança social, a econômica e a política – sendo a protetora apenas parte da segurança social. A segurança é a prevenção de desastres nessas áreas, i.e., é o modo pelo qual evitamos a insegurança.

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A religião bolsonarista

Ultimamente, os debates políticos na internet têm versado, de uma maneira ou de outra, sobre o Bolsonaro. Alguns se posicionam contra ele, outros se posicionam a favor, mas o que nos interessa neste pequeno texto é analisar um certo grupo de pessoas, chamadas de “bolsonaristas”, que têm continuamente apoiado o presidente em todas as medidas que ele intencionou realizar.

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Uma Ética da Doença: A Roleta-Russa Biológica

Parece que a pandemia despertou algumas sensibilidades morais intrigantes nas pessoas. Estava conversando com um amigo um dia desses, quando ele me disse que o melhor curso de ação, no caso do vírus SARS-CoV-2 e da doença relacionada COVID-19, seriam as pessoas se infectarem, para ganharem imunidade como uma espécie. Ele parecia disposto a aceitar moralmente a perda populacional de em torno de 5%, para adquirirmos imunidade à doença. Seja se concordarmos ou não com essa taxa de letalidade (de repente argumentando que há uma sub-notificação dos infectados em maior grau do que a sub-notificação de mortos, que reduziria a letalidade), o que parece ser moralmente relevante é que meu amigo parece sustentar que é moralmente legítimo aceitarmos a morte de alguma porcentagem de pessoas, para que outras tenham uma vida melhor, já que as pessoas infectadas que não morreram ficam imunes e podem, supostamente, voltar à vida normal.

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Pouco importa se o nazismo é de direita ou esquerda

Se o leitor costuma acompanhar as discussões políticas, já percebeu que a disputa sobre se o nazismo é de direita ou esquerda insiste em não sair de moda. No que segue tento mostrar que esta disputa é menos importante do que por vezes sugerido.

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Uma Ideologia de Centro

Prezados leitores, vivemos em um momento complicado e polarizado politicamente. Parece que só seria possível sairmos dessa polarização, ao abandonarmos nossos ideais radicais de direita ou de esquerda e aceitássemos uma posição de centro. Mas o centro brasileiro não é realmente, atualmente, uma posição política que tenha uma ideologia de centro. Provavelmente, nosso centro não tem ideologia alguma, a não ser a ideologia de satisfazer os seus próprios interesses. Obviamente, essa ideologia não nos ajuda a sair do impasse da polarização. Entretanto tenho uma ideologia que gostaria de dividir com vocês, que promete nos tirar da polarização, ao valorizar tanto ideais de direita, libertários, quanto ideais de esquerda, igualitários.

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Neoliberalismo, regra geral, é conversa de picareta, so run to the hills

Não que alguém tenha me solicitado, mas a quem interessar possa, eis meu modo de agir quando confrontado insistentemente com o pessoal do “neoliberalismo”. Em princípio, encaro os adeptos contumazes do termo como encaro um sujeito munido de correntão de ouro, terno de bicheiro, pasta no cabelo e sapato de boliche. Em outras palavras, como um potencial 171. Mesmo assim, escuto. Pode ser um Dani Rodrik da vida. E com ele a gente aprende. Em geral, porém, trata-se da velha conversa xexelenta cuja liga é uma mistura de tiburismo com os piores momentos do Vladimir Safatle, o que justifica a postura inicial. Este parágrafo pode parecer mera ofensa gratuita. É certamente ofensa, mas não gratuita. Abaixo tento explicar as razões.

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Dois Problemas da Panfletagem Científica

A ciência tem uma importância política, um estatuto especial em nossa sociedade. Disciplinas consideradas científicas frequentemente ganham direito a financiamento público especial e inclusão no currículo escolar, e seus membros recebem um estatuto especial de autoridade sobre os respectivos temas. Além disto, em democracias como a nossa, o estatuto de uma disciplina depende pelo menos em parte da opinião geral sobre a mesma. A formação de um clima geral negativo quanto a uma disciplina pode significar o prejuízo da mesma: os financiamentos podem ser reduzidos, a disciplina perder espaço no currículo e seus membros perderem a autoridade. Isto fornece uma razão prática para a discussão sobre se as mais variadas disciplinas merecem ou não rótulos como ciência ou pseudociência. Para alcançar a população, esta discussão precisa ir além dos contextos acadêmicos, e ocupar a grande imprensa, blogs, redes sociais, etc. Em boa parte, é através de meios não acadêmicos como estes que o contato com a população em geral ocorre.

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Reforma da Previdência: devemos aceitar a autoridade dos economistas?

Por um lado, grande parte das pessoas teme a nova reforma da previdência. Por outro, alega-se que os economistas recomendam a reforma. À primeira vista, trata-se um conflito fácil, devemos ficar do lado dos economistas. Afinal, esses têm melhor conhecimento da situação. Por outras palavras, os economistas são autoridades no assunto, e nós leigos devemos acatar a recomendação deles. Certo? Nem tanto, nesse texto apresento um argumento contra essa perspectiva.